quarta-feira, 15 de abril de 2009

Jogo da vida

Pés descalços, ombros caídos, corpo encurvado e cansado, desnudo de esperança, sedento por felicidade, sorriso pintado no rosto e nariz de palhaço lá vou eu... Fazendo graça no circo da vida pra tentar sufocar e rejeitar o que tanto me consome, o que tanto me faz falta. Buscando a todo instante me livrar e me libertar do que eu não mais tenho, do que um dia me trouxe tanta felicidade. Confuso isso não é verdade? Como descartar algo que não mais te pertence?!
Mente perigosa, coração tolo e frágil, coberto por medo, vazio de esperança, cansado de tanta solidão e de tanta espera eu sigo tentando encontrar o meu caminho e o real sentido da vida. Estar vivo definitivamente não basta! Um caminhante, um combatente, um sonhador, um figurante.
Uma mente que não tenho controle, um coração que me domina, um corpo que não me obedece, uma vida em preto e branco num mundo cruel e triste que insiste em se fazer presente. Até quando meu Deus, até quando permaneceremos assim, depositando em outras pessoas e no futuro a nossa felicidade?
Somos perfeitos, completos, inteiros, mas insistimos na idéia de continuar buscando algo, “outras metades”, outras pessoas que nos complete, que dêem sentido às nossas vidas e que nos tornem felizes. Que contradição essa, que loucura é a vida!!
Confesso que não sou muito adepto a essa idéia de cara-metade (acho idiota!) e insisto na idéia de que juntos formamos um grande e complexo quebra-cabeças. Onde cada um de nós, só dará sentido real à sua vida quando nos somarmos, quando nos unirmos. O quebra-cabeças dá idéia de amplitude e nos abre um leque para várias possibilidades. A busca é interessante e prazerosa, porém, às vezes, cansativa e extremamente dolorosa. Precisamos tentar, experimentar muito antes que a imagem da vida seja de fato formada.
Estranho seria se logo na primeira tentativa de junção, de união, encontrássemos às peças que nos completariam. Ficaríamos imóveis (às vezes até felizes), presos a elas logo no início desse jogo louco chamado vida e com isso, perderíamos a chance de buscar, viver, conhecer e experimentar novas situações e pessoas, novos lugares. As perdas (amores, amigos), representam justamente as várias tentativas em busca do encaixe perfeito, das pessoas que darão sentido às nossas vidas. A partir daí tudo começa a fazer sentido...
Não tenha medo de errar, permita-se ser feliz, mas cuidado com mudanças bruscas. Cuidado pra não machucar e ferir peças que, apesar de não te completarem, foram fundamentais e importantes em tua vida. Lembras que o jogo só termina quando a última peça for colocada.
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”
(O Pequeno príncipe)

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