Pela primeira vez, o título surge antes do texto: Processo de morte. Não sei porque, mas gostaria de escrever algo relacionado ao tema. Não sei sobre o que falar, quais palavras usar, qual linha seguir, mas tenho convicção do eu sinto agora. Não é a toa que me deparo com um tema tão mórbido e tão estranho.A falta de inspiração continua, mas insisto na idéia de continuar escrevendo. Não gostaria e não pretendo escrever sobre a morte física, aquela propriamente dita e que todos temem. Queria escrever algo sobre a morte de sentimentos, a morte de sonhos, a morte de pessoas que amamos e que vivas nos induzem a auto-tortura. Tornamo-nos suicidas! Tornamo-nos assassinos dos nossos sonhos e planos. Tornamo-nos cruéis assassinos do que antes nos mantinha vivos e do que, um dia, nos trouxe tanta felicidade.
O processo de captura, acorrentamento, amordaçamento, enclausuramento e tortura de sentimentos e planos tão nobres e tão puros é altamente doloroso e de uma crueldade sem fim. Se não discipulos da morte, tornamo-nos escravos do passado e de pensamentos fujões, famintos por liberdade, que insistem em se fazer presentes. Eles nos dominam, nos controlam, nos atormentam e nos reduzem a quase nada. Tornamo-nos tão dependentes que nos julgamos incapazes de trilhar, agora sozinho, novos caminhos.
Após a perda, surge a dor, a falta, a solidão e uma vontade terrível de morrer (Risos...). Nesse estágio parece que só a morte é capaz de aliviar tanto sofrimento. Mas ninguém morre por isso! Logo após essa loucura toda, surge a necessidade de aceitar. A aceitação é sem dúvida o primeiro passo para a libertação.
O segundo passo consiste no desapego, na necessidade de esquecer, de se libertar, de seguir a vida. Na prática, para a maioria das pessoas, é muito doloroso, demorado e difícil, mas é sim possível. Não te resta outra alternativa: ou você resolve de uma vez por todas se libertar do passado (falar é muito fácil!) e sacrificar este sentimento, que agora é só seu, ou você ficará pelo resto dos teus dias sofrendo, se lamentando... Permanecerás ali, na miséria, na mesmisse, na profunda e eterna solidão. Enquanto teu (tua) amado(a) está aí, já nos braços de outro(a)s e em busca da felicidade, que você julgava ser capaz de dá-lo(a).
Admite de uma vez por todas que não há mais nada a fazer, a não ser seguir adiante! Lembras sempre que é sim possível ser feliz novamente e, por favor, não tenta atropelar nenhuma etapa. Todas elas são de fato muito importantes! A gente se acaba, mas cresce muito com essa situação toda. No final, quando esse furacão passar, verás que só te restaram os momentos felizes para recordar e, talvez, uma bela e verdadeira amizade.
“Existe um dom natural que todos temos. As nossas escolhas vão dizer pra onde iremos...”
(Uma criança com o seu olhar – Charles Brown Júnior).
P.S. Esse vai para os meus muitos (quase todos) amigos que atualmente sofrem com as loucuras do coração. Vocês são a minha atual fonte de inspiração.

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